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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

É como o rio...

Tenho pensado, a vida de fato é como um rio, e a água nunca para, pois TUDO, tanto bom quanto ruim, passa.


- Começei a escrever esse post, de acordo com o blogger, no dia 15/05. É, acho que eu tenho deixado muita coisa pra fazer depois e não tenho terminado nada. Mas voltemos ao fato de que tudo passa, até os pensamentos que me motivaram a iniciar esse post.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Banalização (ou valor real das coisas)

Se tem uma coisa que me preocupa é a banalização. De tudo. Da vida. Da amizade. Das pessoas. Do sexo. Dos sentimentos.

No post "dois perdidos numa noite suja" disse que provavelmente voltaria a falar sobre brigas que se iniciavam por um motivo banal (quem nunca ficou minimamente chateado por uma besteira?). Bem, não são só as brigas que começam por motivos banais. Morando numa cidade que ainda carrega resquícios da cultura de pistolagem, me espanto com as justificativas que se ouve pela morte de alguém "se fulano foi assassinado, alguma ele aprontou". Não que eu seja a favor de qualquer coisa que a pessoa possa ter feito, mas estamos tratando de vidas! E, de qualquer forma, eu penso que um erro não justifica o outro. Sou contra a pena de morte. Penso que deve-se pensar mais na "recuperação" dos presos, de uma forma que eles possam se integrar à sociedade de uma forma saudável (o que provavelmente não conseguiram antes).

Temos que parar de pensar "ah, todo mundo faz isso", se algo é errado, não vai passar a ser certo por todos estarem errando juntos. Isso serve para muita coisa, desde pirataria até um pequeno furto ("ah, ninguém viu mesmo, né?") ou um grande desvio de dinheiro público.
Como queremos falar tão mal do governo se faríamos o mesmo se nos dessem poder,co que provamos ao acharmos normais as pequenas coisas erradas.

Me impressiono com a facilidade de "amar" e "desamar" que as pessoas têm. Eu acredito que podemos sentir um carinho por uma pessoa rapidamente, mas não acredito que alguém se apaixone perdidamente todo mês, muito menos passe a amar uma pessoa que nem conhece direito depois de um beijo numa festa. É triste o valor que as pessoas dão para o seu corpo (nisso incluo os homens, ô coisa que me irrita é falarem "isso não é bonito para uma garota" ah, por favor, não é bonito para ninguém!).

Não digo que a banalização é um fenômeno recente, pelo contrário, basta voltarmos um pouco na história (guerras, perseguições, Coliseu ...) para veremos o quanto já melhoramos. Mas ainda temos muito o que melhorar.

Temos que prestar bem mais atenção no real valor das coisas - seja um pequeno momento com uma pessoa querida ou seja uma vida inteira; seja alguma coisa que te chateou ou seja um beijo que foi bom.

Claro que temos que ter o cuidado para não levarmos tudo tão a sério, mas tem coisas que são REALMENTE importantes. ( E coisas que damos um valor bem maior do que deveríamos).

sábado, 19 de dezembro de 2009

Perdidos.

Se tem uma coisa triste nas idas e vindas da vida é a perda de contato. Ver uma pessoa e lembrar que um dia foram amigas, que um dia compartilharam segredos, passeios, tardes, estudo, risos... E ter dúvidas se a outra pessoa lembra, se também foi importante pra ela, se ainda poderiam se repetir os bons momentos ou se não conseguiriam nem assunto para uma conversa maior do que "oi/tudo bem?/como vai?". Pior é quando você vê aquela pessoa que tanto gostou e se pergunta se ela ainda existe. Mas nada pior do que questionar isso sobre si mesmo. Ainda me lembro de todas aquelas coisas boas que passaram? Ainda consigo ser divertida e confiar tanto em alguém? Nem sempre conseguimos nos perguntar isso, estamos perto demais para percebermos nossas mudanças e, se elas foram feitas, provavelmente gostamos delas, as mudanças estranhas e erradas sempre vemos nos outros.
Amigos, me digam como vocês estão, me digam o que vocês sentem, o que tem feito, todas as coisas inúteis e sem sentido que tem vontade de dizer e que me façam sentir que de alguma forma ainda faço parte da vida de vocês. Só não me digam que "não há nada, está tudo ok", por favor.
O amor nunca acaba. Não falo na forma de amor a dois, mas do amor fraterno (existe outra forma ou apenas confundimos tudo? - desejo, necessidade, dinheiro, um determinado estilo de vida, comodismo, sexo... Nada isso é amor, mesmo que sejam coisas que muita gente ama). Nós mudamos, os nossos caminhos e pensamentos podem mudar, mas os laços que fizemos não são tão frágeis - o valor que damos a eles é a parte instável das relações.

Abraços =)

P.S: Parabéns renan d= haoeuhaoue
P.S2: Viagem para São Luis?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Da saudade

Eu tenho medo da saudade.
Acho que a tendência é pensarmos que as coisas foram melhores do que o que realmente foram, logo, lembranças são muito perigosas.

Prefiro acreditar que a saudade é uma dorzinha boa e que podemos conviver com ela numa sensação de satisfação pelo que foi feito - sem necessariamente achar que sempre fizemos o melhor, conseguindo ver nossos erros sem querer repeti-los por orgulho.

Tenho medo da saudade do que não foi. Medo de esperar demais pelo que pode nunca acontecer de pensar mais do que fazer.

"No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois."
Lenine - O Último Pôr do Sol



Mas se querem saber a verdade, eu sou feliz por ter do que sentir saudade.
Mais ainda, eu gosto da minha saudade futura, de apostar que algo pode dar certo, que um dia pode acontecer. mesmo sabendo que eu posso simplesmente ter me enganado.



Ouvindo: (Vinil) Ópera do Malandro, de Chico Buarque

Pedaço de mim
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus