segunda-feira, 18 de outubro de 2010
É como o rio...
- Começei a escrever esse post, de acordo com o blogger, no dia 15/05. É, acho que eu tenho deixado muita coisa pra fazer depois e não tenho terminado nada. Mas voltemos ao fato de que tudo passa, até os pensamentos que me motivaram a iniciar esse post.
sábado, 9 de outubro de 2010
quando a gente escreve e não sabe o porquê. Ondas
terça-feira, 8 de junho de 2010
uma noite chata, depois de um dia cansativo
“Quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar abaixo de vós; vede quanta miséria a aliviar; quantas pobres crianças sem família; quantos velhos que não têm mais uma só mão amiga para os socorrer e lhes fechar os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! Não vos lamenteis; mas ao contrário (...)”
(ADOLFO, bispo de Argel, Bordéus, 1861)
Precisa falar alguma coisa? Precisa falar que estamos sempre reclamando de barriga cheia?
Eu até prefiro não ir muito longe e lembrar que sempre estamos com muita pressa para notar quem está sentado do nosso lado.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Saudades
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Tempo.
Provavelmente eu estou com sérios problemas sobre como organizá-lo, mas sei que ele simplesmente tem sumido, corrido pra longe de mim!
Tempo, preciso de você!
Preciso estudar mais, como eu sempre penso que "farei amanhã", preciso passar mais tempo com meus pais e minha irmã, preciso sair com meus amigos (o que não faço há séculos), preciso lembrar de cuidar de mim, da saúde do meu corpo, preciso ler coisas simplesmente por prazer, preciso fazer minhas pequenas, bobas e estranhas coisas que gosto de fazer, preciso passear com minha cachorra (ou pelo menos tentar lembrar que ela existe), preciso assistir mais filmes, preciso dormir mais, preciso lembrar que existem garotos e um deles às vezes pode ser mais do que um amigo, preciso estudar coisas que não se relacionam tão diretamente à minha universidade, mas que eu gosto muito, preciso fazer as unhas as vezes, preciso tentar aprender a cozinhar, preciso cuidar do meu jardim, preciso lembrar de agradecer mais e melhor as pessoas que me ajudam tanto, preciso lembrar mais vezes do meu blog, preciso lembrar de tantas outras coisas que tenho que lembrar e preciso, com urgência, organizar melhor meu tempo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Intensidade.
Lembro-me bem de, na oitava série, olhar pra menina que sentava na minha frente (que por sinal eu sinceramente tinha um carinho) e pensar "todo dia nos desejamos bom dia, mas não precisaremos de muito tempo longe para esquecermos uma da outra" - não é por não gostar dela, mas por saber que nunca passamos juntas por algum momento que não fosse do chato cotidiano.
Uma coisa é fato, tudo passa.
E eu acho que só conseguimos guardar na lembrança o que realmente nos é importante.
Eu amo meus amigos, eu adoro conversar com meus eles e percebo quando realmente tenho um amigo depois de perceber o quanto posso falar da minha vida e dos meus sentimentos para ele.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Arrumando o guarda-roupa
Vocês sabem aquelas cosas que não gostamos de fazer, ou pelo menos temos preguiça de começar, mas que quando começamos se torna algo prazeroso? Pra mim, arrumar o guarda-roupa é assim.
Pode parecer algo bobo, mas podíamos dar uma chance às coisas (e mesmo às pessoas) que parecem não ser tão legais e se começarmos a conhecer se tornam algo bom.
Já outras coisas estão no mesmo lugar há séculos sem nos ser útil e acabamos deixando-as devido ao nosso comodismo, quando arrumamos nosso guarda-roupa algumas vezes nos deparamos com essas coisas que poderiam ser bem mais úteis em outro lugar.
Por quê não dar uma chance àquelas roupas que estão esquecidas num canto?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Fim de semana na fazenda
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
Fim de semana trabalhando numa fazenda. Com essa vista, eu simplesmente amei trabalhar no sol quente.
domingo, 10 de janeiro de 2010
A semana
Uma semana observando o novo. Comparando (?). Pensando. Vendo que as coisas podem ser diferentes - e iguais.
Auckland é no mínimo interessante. Seja pela quantidade de nacionalidades diferentes nas ruas. Seja pela hospitalidade do povo. Seja por ter belos jardins e praças. Seja por simplesmente ser diferendo do que eu sou acostumada a ver. Seja por eu gostar de ver as coisas com novos olhos, tentando não buscar o que é mais comum.
Para mim tudo tem sido muito tranquilo, acho que tenho facilidade em me adaptar, a família dona da casa onde estou é legal; estou gostando muito da escola, de conhecer gente de tantos países diferentes (almoçar com duas alemãs, uma chinesa, uma francesa e uma brasileira); as refeições são diferentes das do Brasil; as pessoas que moram aqui são muito amigáveis, sempre que possível te ajudam; os raios solares são muito fortes; o vento é muito frio.
Imagem: Na frente do museu de Auckland
domingo, 3 de janeiro de 2010
Primeiros contatos
Acreditem se quiserem, mas a parte mais difícil do vôo foi no aeroporto de Marabá, onde eu moro! Todos estavam preocupados sobre como seria em Congonhas, já que seria minha primeira viagem internacional e tals, mas lá foi super tranqüilo. Ah, o chato foi que em Buenos Aires ficaram com meu desodorante, protetor solar, rímel e delineador, eu não poderia levar eu uma necessérie, teria que levar em um tipo de sacola plástica – o que não fui só eu que descobri na última hora. Mas eu não me estressei nem um pouco.
Ontem não fiz muita coisa, já cheguei por volta das 9:30 na minha “homestay” , a dona da casa estava na igreja, fui recebida pela filha dela, de anos. Tomei meu café, a dona da casa chegou logo depois, fui numa mercearia aqui perto, arrumei minhas coisas no quarto – que vou dividir com uma Russa que chega dia 6, descansei um pouco, mas como pessoa agoniada que eu sou, fui andar aqui por perto, já que me aconselharam a esperar os outros estudantes (na mesma homestay chegou um chileno pouco mais cedo que eu, já estavam um casal de brasileiros num quarto e uma brasileira e uma mexicana dividindo outro) para ir um pouco mais longe, já que eu poderia me perder se fosse sozinha.
Bem, durante a caminhada pude ver casas com jardins muito bonitos, alguns senhores cuidando desses jardins, um neozelandês com um sorriso muito amigável na mercearia, uma senhora neozelandesa que me indicou um bom caminho pra andar (que eu não fui com medo de me perder hahaha), um lugar ótimo para se passear com cachorros ou crianças, onde vi três pais com seus respectivos filhos num playground, ah, não só nesse lugar, mas como em toda a cidade, as plantas estão sempre presentes! SEMPRE! Uma coisa que só percebi hoje (são 7:30 da manhã) é que simplesmente o pouco de sol que peguei me deixou vermelha!
Hoje devemos ir ao museu daqui a pouco =)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Novo.
Eu só sei que daqui a pouco vou fechar meus olhos e me jogar.
Só espero que dê tudo certo =)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Banalização (ou valor real das coisas)
No post "dois perdidos numa noite suja" disse que provavelmente voltaria a falar sobre brigas que se iniciavam por um motivo banal (quem nunca ficou minimamente chateado por uma besteira?). Bem, não são só as brigas que começam por motivos banais. Morando numa cidade que ainda carrega resquícios da cultura de pistolagem, me espanto com as justificativas que se ouve pela morte de alguém "se fulano foi assassinado, alguma ele aprontou". Não que eu seja a favor de qualquer coisa que a pessoa possa ter feito, mas estamos tratando de vidas! E, de qualquer forma, eu penso que um erro não justifica o outro. Sou contra a pena de morte. Penso que deve-se pensar mais na "recuperação" dos presos, de uma forma que eles possam se integrar à sociedade de uma forma saudável (o que provavelmente não conseguiram antes).
Temos que parar de pensar "ah, todo mundo faz isso", se algo é errado, não vai passar a ser certo por todos estarem errando juntos. Isso serve para muita coisa, desde pirataria até um pequeno furto ("ah, ninguém viu mesmo, né?") ou um grande desvio de dinheiro público.
Como queremos falar tão mal do governo se faríamos o mesmo se nos dessem poder,co que provamos ao acharmos normais as pequenas coisas erradas.
Me impressiono com a facilidade de "amar" e "desamar" que as pessoas têm. Eu acredito que podemos sentir um carinho por uma pessoa rapidamente, mas não acredito que alguém se apaixone perdidamente todo mês, muito menos passe a amar uma pessoa que nem conhece direito depois de um beijo numa festa. É triste o valor que as pessoas dão para o seu corpo (nisso incluo os homens, ô coisa que me irrita é falarem "isso não é bonito para uma garota" ah, por favor, não é bonito para ninguém!).
Não digo que a banalização é um fenômeno recente, pelo contrário, basta voltarmos um pouco na história (guerras, perseguições, Coliseu ...) para veremos o quanto já melhoramos. Mas ainda temos muito o que melhorar.
Temos que prestar bem mais atenção no real valor das coisas - seja um pequeno momento com uma pessoa querida ou seja uma vida inteira; seja alguma coisa que te chateou ou seja um beijo que foi bom.
Claro que temos que ter o cuidado para não levarmos tudo tão a sério, mas tem coisas que são REALMENTE importantes. ( E coisas que damos um valor bem maior do que deveríamos).
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Ida a Imperatriz
Nos últimos 30 km começou uma chuva forte, que se manteve, não tão forte, durante o primeiro dia inteiro. Fomos ao shopping e passamos a tarde no hotel, por causa da chuva, no início da noite demos uma volta pela cidade, fomos a uma praça, a praça da cultura, onde se apresentaram dois corais (que não vimos por que só eu queria esperar o início da apresentação) de lá fomos comer uma pizza (bem ruinzinha, por sinal) no shopping (minha irmã já ficou feliz só por ter visto o papai noel haoeuhoaeuh).
No outro dia fomos ao Freitas Park Aquático, foi muito bom, fazia
tempo que eu não ia a um (muito tempo mesmo, na verdade não tenho ido nem a piscinas ou a praias). Acho que não preciso nem dizer o quanto minha irmã gostou, mas o fato é que eu e meu pai também adoramos! A mamãe também gostou muito, apesar de não
ter ficado parecendo uma criança pelos brinquedos. Essas fotos não estão mostrando tudo, mas a parte onde ficamos boa parte do tempo foi essa. Um momento engraçado foi quando eu estava subindo em um toboágua menor, para "animar" a minha irmã e o salva-vidas apita pra me dizer que eu não poderia descer naquele - poxa, nem era tão pequeno assim! haouehaouehAcho que até poderia considerar essa uma viagem não muito boa, por causa da chuva e de um primeiro dia que não deu muito certo, mas acho que só passar um tempo com a família (mesmo que com alguma briga) é sempre bom.
Resumindo, saímos do Pará, passamos pelo Tocantins e visitamos Imperatriz, no Maranhão, distante 223 km da cidade onde moramos, Marabá.
ouvindo: Julieta Venegas, Acústico MTV
PS: Bom natal =)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Das Férias, ou seria das Aulas?, ou seria da vida?
Talvez eu tenha sentido isso mais por ter uma cabeça muito "fechada" durante o período letivo, eu sempre priorizei até demais a educação formal, o que é um grande erro - nunca conseguirão prender a educação dentro de muros. Que besta fui eu por não ter tentado pintar mais camisas, montar mais quebras-cabeça, escutado mais lp's, assistido mais filmes, lido mais livros, passado mais tempo com minha irmã - sempre dando a desculpa de que era momento de aula, como se não pudesse fazer nada divertido durante esse período (até por que seria mentira demais dizer que não fazia isso pra estudar, nunca passei muito do tempo estudando, mas é verdade que passava pouco tempo em casa durante o período letivo, sempre tinha natação/tae kwon do, inglês, essas coisinhas). A verdade é que isso não passa de desculpa, a vida é sempre questão de prioridades, eu priorizei o comodismo da escola.
Fico mais preocupada ainda com minhas escolhas quando paro pra pensar: "então eu não acho prazeroso ir pra universidade?" Assim, sempre falamos em fazer o que gostamos, mas será que isso é realmente possível? Eu acho que é muito bom fazermos do nosso trabalho algo agradável, mas também acho que devemos construir nossa personalidade independentemente dele, é importante mantermos nossas diversões que não se relacionam com ele. Mas organizar nosso tempo nem sempre é tão fácil. Me vejo perdendo tanto tempo com coisinhas que não me levam a nada (seria esse blog mais uma dessas coisas? - prefiro pensar que não, prefiro pensar nele como uma forma de tentar organizar e descobrir melhor minhas idéias).
De qualquer forma, acho que nas férias temos mais tempo para fazer as coisas que realmente gostamos, para se conhecer melhor - e por que não para conhecer melhor quem gostamos?.
Amanhã devo ir com meus pais e irmã para Imperatriz (ainda não conheço), para voltar no dia seguinte. Não vou dizer que estou super animada para ir, até por detestar essa falta de planejamento do meu pai, mas não acho arrumar a mochila uma coisa muito difícil, então vamos lá!
Penny Lane
Composição: Lennon / McCartney
Penny lane there is a barber showing photographs
Of every head he´s had the pleasure to have known
And all the people that come and go
Stop and say hello
On the corner is a banker with a motor car
The little children laugh at him behind his back
And the banker never wears a mac
In the pouring rain
Very strange
Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit and meanwhile back
In penny lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the queen
He likes to keep his fire engine clean
It´s a clean machine
Penny lane is in my ears and in my eyes
A four of fish and finger pies
In summer, meanwhile back
Behind the shelter in the middle of the roundabout
The pretty nurse is selling poppies from a tray
And though she feels as if she´s in a play
She is anyway
Penny lane the barber shaves another customer
We see the banker sitting waiting for a trim
And then the fireman rushes in
From the pouring rain
Very strange
There beneath the blue suburban skies
Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny lane
sábado, 19 de dezembro de 2009
Perdidos.
Amigos, me digam como vocês estão, me digam o que vocês sentem, o que tem feito, todas as coisas inúteis e sem sentido que tem vontade de dizer e que me façam sentir que de alguma forma ainda faço parte da vida de vocês. Só não me digam que "não há nada, está tudo ok", por favor.
O amor nunca acaba. Não falo na forma de amor a dois, mas do amor fraterno (existe outra forma ou apenas confundimos tudo? - desejo, necessidade, dinheiro, um determinado estilo de vida, comodismo, sexo... Nada isso é amor, mesmo que sejam coisas que muita gente ama). Nós mudamos, os nossos caminhos e pensamentos podem mudar, mas os laços que fizemos não são tão frágeis - o valor que damos a eles é a parte instável das relações.
Abraços =)
P.S: Parabéns renan d= haoeuhaoue
P.S2: Viagem para São Luis?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A essência
Quero descobrir qual é a minha, quero derramá-la em mim.
Claro que sou uma "metamorfose ambulante", acredito que a cada momento mudamos um pouquinho e que caminhamos numa evolução, mesmo que mais lentamente ou até paremos em algum momento.
Acho lindo o fato de que deixamos sempre um pouquinho da gente nos outros, bem como levamos um pouquinho dos outros na gente. =)
P.S.: Férias começaram HOJE! =D
sábado, 12 de dezembro de 2009
Da saudade
Acho que a tendência é pensarmos que as coisas foram melhores do que o que realmente foram, logo, lembranças são muito perigosas.
Prefiro acreditar que a saudade é uma dorzinha boa e que podemos conviver com ela numa sensação de satisfação pelo que foi feito - sem necessariamente achar que sempre fizemos o melhor, conseguindo ver nossos erros sem querer repeti-los por orgulho.
Tenho medo da saudade do que não foi. Medo de esperar demais pelo que pode nunca acontecer de pensar mais do que fazer.
"No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois."
Mais ainda, eu gosto da minha saudade futura, de apostar que algo pode dar certo, que um dia pode acontecer. mesmo sabendo que eu posso simplesmente ter me enganado.
Ouvindo: (Vinil) Ópera do Malandro, de Chico Buarque
Pedaço de mim
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Dois Perdidos Numa Noite Suja

Os dois personagens dividem um quarto de pensão, cenário da peça, ambos trabalham como carregadores no mercado. Tonho (Freddy R.) culpa toda infelicidade de sua vida à falta de um sapato que preste, o que Paco (André G.) tem, mas não empresta. Daí gostaria de destacar: a falta de confiança, Paco não confia seu par de sapatos nem ao seu colega de quarto; a importância tão grande que damos a certas coisas, para Tonho, todos o olhavam com maus olhos por causa de seus sapatos rotos; como brigas são desencadeadas por motivos banais (acho que escreverei mais sobre isso em um futuro post), os personagens brigam por causa de um par de sapatos. Sem contar o óbvio, o quanto coisas básicas como um par de sapatos são inacessíveis para muita gente.
O grande desejo de Paco é uma flauta, o que tocava, até perder a sua em uma noite, provavelmente depois de muita bebida. Para voltar a ser um artista tenta aprender a tocar gaita, o que incomoda Tonho, que quer dormir.
Me chamou atenção o fato de que a desgraça é tão banalizada que torna-se cômica.
A peça retrata uma realidade agressiva, violenta, pesada, marginal.

Fiquei muito feliz com a vinda de uma peça boa como essa, o cine teatro de Marabá (cine Marrocos) não é muito movimentado, espero que isso seja só o início de uma melhora no teatro daqui.
A peça também foi adaptada para o cinema, mais recentemente numa versão com Roberto Bomtempo e Débora Falabella.
"O teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se pode discutir até as últimas consequencias os problemas dos homens"
Ouvindo: Chico Buarque, Álbum: Carioca
Subúrbio - Chico Buarque
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa
Lá não tem moças douradas
Expostas, andam nus
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha a tua voz
Nos arredores
Carrega a tua cruz
E os teus tambores
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia
Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Raízes (?)
Talvez todos tenhamos a necessidade de dizer de onde somos, ter aquele grupo que nos identifica, o lugar para onde voltar. Vamos então questionar. Isso realmente faz parte da nossa identidade ou é mais uma forma de mascará-la para sermos tratados como um todo e não como um indivíduo único? Não digo que somos uma bolha, nossas experiencias vão influenciar no que somos. Adquirimos os costumes de acordo com o meio, mas, como já disse lá em cima, o que fazemos com as experiencias pelas quais passamos é o que realmente vai nos diferenciar.
Não quero rasgar o passado, não quero menosprezar a cultura (nunca!). Quero questionar e poder abrir os olhos para ver o horizonte todo, quero me sentir livre para pensar. Quero conseguir ver os erros que já viraram costume, quero conseguir melhorar. Quero conseguir ver a beleza do passado e a porcaria do presente. Quero valorizar a beleza do que foi feito no lugar de onde vim.
Acredito na possibilidade de convívio entre diferentes culturas, para isso o respeito é fundamental. A curiosidade nos move.
Vivi. Estou vivendo. Tenho sede para viver muito mais.
sábado, 28 de novembro de 2009
Do início do blog
Os dias tem passado tão rápido, tão cheios... vazios, vazio.
(Talvez hoje tenha sido um exemplo de quão cheios e vazios meus dias tem sido).
E há pouco tempo estava pensando em uma forma de registrar a minha viagem a Auckland, minha primeira viagem para fora do país. (Sairei de Marabá/PA - onde moro no dia 31 de dezembro/2009, voltarei dia 3 de março/2010)
Não gritei eureca, nem tenho certeza se realmente achei a melhor idéia, mas resolvi tentar começar o que já tinha pensado.
Assim nasceu esse blog, inicialmente com o pensamento de registrar uma viagem.
Mas aí parei: ah, virão outras, muitas já foram feitas, sempre viajamos de uma ou outra forma.
Então que ele seja descompromissado com seu futuro, mas que seja intenso, como todo bom momento.
Que lembremos da intensidade em todo momento, vejamos o mundo do agora com o olhar de quem está vendo pela primeira vez, com a curiosidade de quem está conhecendo algo novo, um lugar onde acabou de chegar, uma viagem que está sendo feita. Que façamos com o mundo o laço forte de quem o conhece há anos, daqueles velhos amores que só se renovam com o tempo.
Este é então um blog feito no caminho, na estrada. (Quando não estamos trilhando um?)
E eu sou Ana.
Estou na minha estrada.
ouvindo: Marisa Monte - álbum: Verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão.
Na estrada (Carlinhos Brown / Marisa Monte / Nando Reis)
Ela vai voltar, vai chegar
E se demorar, I´ll wait for you
Ela vem, e ninguém mais bela
Baby, I wanna be yours tonight
Sem botão, no tempo, no topo, no chão
em cada escada, a caminhada a pé, de caminhão
Seu horário nunca é cedo aonde estou
e quando escondo a minha olheira
é pra colher amor
Sala sem ela tem janela
inclina em cerca de atenção
Ela vem, e ninguém mais
Ela vem em minha direção
Sala sem ela tem janela
inclina em cerca de atenção
Ela vem, e ninguém mais
bela vem em minha direção
